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Jornal do Brasil, junho de 1971
Dos enviados especiais Ricardo Noblat e Josenildo Tenório
Petrolina-PE – O avião adernou para a direita e durante
alguns segundos nada se viu. Até que o Rio São Francisco saltou
de dentro das nuvens, revelando bruscamente, e com toda a nitidez, a extensão
da sua tragédia imensos bancos de areia, grandes pedras que dormiam
em seu leito, nenhuma grande embarcação, somente três
ou quatro canoas pequenas. É a seca do rio. Seca que nunca se viu igual,
que já paralisou 90 por cento da navegação e que poderá,
até meados de setembro, provocar seu colapso total.
De perto, em determinadas regiões, a grandeza do São Francisco
esconde e dissimula a gravidade da sua situação. Ele parece
apenas, se ressentir um pouco das chuvas que não caíram com
intensidade nas suas cabeceiras e aparenta uma normalidade falsa. Basta, entretanto,
um mergulho na sua história, ou nos dados técnicos que não
deixam duvidas, ou na conversa dos barqueiros que navegam em suas águas,
para que a realidade doa como um murro na cara.
A parte mais funda do seu trecho navegável está sendo atravessada
por homens com água no peito. Às suas margens se acumula, à
espera de transporte que não virá, a produção
de dezenas de cidades de Minas Gerais, Bahia e Pernambuco. Cerca de 70 por
cento da safra de feijão e milho de mais de mil propriedades rurais
da região estão ameaçadas de se perder, se as águas
do rio não subirem logo. Das oito turbinas na barragem de Três
Marias, apenas duas funcionam.
As explicações para a seca do São Francisco variam de
técnico para técnico, mas em alguns pontos elas são comuns.
Desde que foi descoberto pela navegação que o São Francisco
nunca foi dragado. Em toda sua historia conhecida, nunca se registrou um índice
tão baixo de precipitação pluviométrica nas suas
cabeceiras. A vegetação das suas margens foi devastada e o equilíbrio
ecológico está seriamente comprometido.
Se as chuvas não chegarem com o mês de setembro, técnicos,
estudiosos, barqueiros e lideres naturais de populações são
unânimes: estagnará completamente a navegação no
São Francisco e as conseqüências econômicas e sociais
serão imprevisíveis.

O grande rio
Otávio Barbosa, barqueiro há 27 anos por amor ao rio e por necessidade,
larga as amarras da sua barca e parte ao encontro dos bancos de areia e das
pedras, que se multiplicam no seu caminho entre a cidade de Malhada, na Bahia,
e Petrolina, Pernambuco. Pai de três filhos seus, e de mais três
dos outros que as circunstâncias da vida juntaram à sua família,
ele viaja com todos eles e a mulher. E 50 toneladas de feijão, menos
da metade da capacidade da sua barca.
Na proa, Otávio pai e filho, que tem somente cinco anos, observam o
caminho, à espera das dificuldades que não tardarão a
chegar.
— Olha o banco, grita Otávio Filho.
A barca encalha e o casco range na areia. O seu sistema de refrigeração
começará, dentro em pouco, a ter problemas. Pai, filhos, ajudantes,
descem da barca e começam a tratar do desencalhe.
O São Francisco nasce num brejo, a cerca de mil metros na Serra da
Canastra, em Minas Gerais. Ele desce banhando 28 cidades mineiras, 18 baianas,
sete pernambucanas, nove sergipanas e nove alagoanas, até desaguar
no Atlântico. E um rio tipicamente de planalto. Seu vale se encontra
dentro de uma depressão, a Depressão São Franciscana.
Ele atravessa os terrenos cristalinos do Planalto Atlântico. Drena as
terras da Serra do Espinhaço, da Chapada Diamantina e do Planalto Brasileiro.
Seu curso é desenvolvido através de degraus e os maiores desníveis
estão entre suas cabeceiras e a cidade mineira de Pirapora e, no trecho
inferior, na cachoeira de Paulo Afonso.
O São Francisco começou a ser descoberto para a navegação
a partir do século XVII. As canoas, chamadas igaras, desceram e subiram
suas águas, ligando cidades, comerciando produtos e levando sinais
dos centros mais civilizados para lugares perdidos, quase selvagens.
No século seguinte, a navegação no Rio São Francisco
intensificou-se e surgiram as carrancas, grandes barcaças a velas,
empurradas por grandes varas, apoiadas no peito dos barqueiros. Essas grandes
barcaças lembram muito os barcos egípcios, com a cabeça
de um leão, ou de um monstro qualquer esculpida na proa, "para
espantar os maus espíritos".
No dia 4 de fevereiro de 1871, o primeiro vapor desceu de Pirapora a Juazeiro,
fazendo os 1.370 quilômetros navegáveis do São Francisco.
Vapor e carrancas conviveram até quase recentemente, quando estas últimas
desapareceram. Hoje, o vapor é soberano indiscutível no grande
rio, e nem as lanchas modernas, muito mais rápidas que ele, incomodam
sua posição.
Apesar disso, a fase de ouro dos vapores do São Francisco já
passou. Em numero de 35, de três empresas diferentes, eles já
interligaram cidades e foram, até, recebidos em muitas delas com festas,
bandeirolas coloridas e povo nas ruas, contente. Agora, são somente
sete, de uma só companhia, mas ainda absolutos.

A grande seca
Otávio Barbosa conseguiu desencalhar sua barca. Mas, foi serviço
duro, para muitos braços e muitas horas. Ele teve até de desembarcar
grande parte da carga e pedir ajuda de outros homens das margens do rio, homens
que hoje vivem de desencalhar barcaças e de retirar daí o sustento
que a seca lhes negou.
Não vai demorar muito e a barca de Otávio vai encalhar novamente.
O próximo banco de areia é chamado de campinhos. O banco de
areia, agora, tem até nomes.
— Pronto, encalhou novamente, não disse?
Ninguém fazia idéia das proporções da seca do
São Francisco. Até Otávio Barbosa, homem experimentado,
viu as formigas correrem para as margens, pressentiu a seca, mas não
imaginou nunca que ela seria a maior de que se tem noticia.
A época de chuvas vai de meados de setembro até meados de marco,
com uma ligeira interrupção em janeiro. Em dezembro do ano passado,
tempo de muita água, parou de chover. Nas cabeceiras do rio, a precipitação
pluviométrica foi de 752 mm, quando o normal era, sempre, entre 1.100
mm e 1.250 mm, o registrado no inverno de 1969.
Na região de Petrolina e Juazeiro choveu muito, mas de pouco adiantou,
porque o importante é a chuva nas cabeceiras. Nos primeiros meses deste
ano, a situação de grande seca começou a ganhar força
em seus contornos. A navegação passou a ser difícil,
complicada e cheia de acidentes. E, hoje, é uma temeridade, uma aventura
para Otávio barqueiro e seus companheiros de vida.
A companhia de navegação do São Francisco tem paradas
duas lanchas modernas de passageiros, dois rebocadores médios, quatro
navios a vapor, oito empurradores grandes, 12 chatas reboques e 32 chatas
empurradoras. Funcionam apenas dois rebocadores, que estão em Juazeiro
à espera de uma carga de postes e três vapores.
O vapor São Francisco está encalhado um pouco acima da cidade
de Ibiaí, em Minas Gerais. O Benjamim Guimarães está
encalhado em Itacarambi, também Minas. O Fernandes da Cunha encalhou
num banco de areia perto de Extrema, ainda território mineiro. A viagem
que eles faziam antes em sete dias, se conseguirem fazer agora levarão
mais de 30. Estão, apenas, com 20 por cento da sua capacidade de carga.
Um vapor da Cobal, responsável pelo abastecimento de alimentos das
populações pobres das margens do São Francisco, o Santa
Bárbara, está encalhado a 15 quilômetros acima da cidade
de Barra, na Bahia, na cidade de Januária, estão ancoradas,
impossibilitadas de navegar, 63 barcas. Cerca de 230 barcos particulares,
que cruzavam pelo São Francisco, estão parados. Poucos, como
o barqueiro Otávio, são os que se aventuram rio acima, rio abaixo.
E rio acima somente até as primeiras cidades mineiras, porque de lá
em diante a navegação é impossível.
As barcas que chegam a Juazeiro, todas elas, chegam avariadas. Chegam com
rombos no casco (três rebocadores já se perderam definitivamente)
ou com sérios defeitos no motor. Assim se encontram as barcas Maravilha,
Curitiba, Maringá, Marta Rocha, Canindé e Micronésia,
no porto de Juazeiro.
As 65 embarcações da Companhia de Navegação do
São Francisco sempre desceram de Pirapora a Petrolina trazendo cereais,
sementes oleaginosas, gado, algodão em rama, minérios, cimento
e produtos industrializados do sul. Sempre subiram de Pernambuco a Minas Gerais,
levando, principalmente, sal, tortas e minérios. Agora, este comércio
está parado.
De janeiro do ano passado a junho, a companhia transportou 60 mil toneladas
de produtos. Neste mesmo período, este ano, transportou pouco mais
de 3 mil toneladas. O tráfego de passageiros entre as 29 cidades de
Minas Gerais, Bahia e Pernambuco servidas pela companhia, de janeiro a junho
do ano passado, foi de 13 mil pessoas. Este ano, em igual período,
um pouco menos de 500 viajaram.
Somente as barcas chamadas sergipanas conseguem navegar no rio sem maiores
problemas, devido ao seu formato: proa e popa afiladas. Em determinados lugares,
o São Francisco tem apenas 60 cm de profundidade. Em Ibotirama, na
Bahia, no seu trecho mais profundo, as pessoas atravessam com água
no peito. Alguns dos seus principais afluentes também se encontram
nessas mesmas condições: o rio corrente está tendo 60
cm de profundidade nos seus lugares mais secos. O Rio Grande tem profundidade
de 40 cm, em determinadas; regiões; e o Rio Preto, 30 cm.
As graves conseqüências
Desencalhou novamente a barca de Otávio Barbosa e sua família.
Desencalhou já pela sétima, oitava, nona vez, e tantas quantas
foram os bancos de areia que já passaram pelo caminho do barqueiro
experiente.
Algumas toneladas de feijão já se perderam, nas repetidas vezes
em que a carga foi carregada e descarregada. Não se ouve, entretanto,
nem uma palavra de lamento de Otávio barqueiro. Ele sua muito, dá
duro, mas não reclama. Parece mais que resolveu vencer todos os obstáculos,
como se quisesse vencer o próprio rio, tão intimo dele que ele
o chama até de Chico.
Agora, na luta não. Ele faz questão de chamar pelo nome todo,
rio São Francisco, e até acrescentar o que já viu escrito
por muitos cantos: "o Rio da Integração Nacional".
Assim, valoriza sua vitória. Se vencer...
Duas conseqüências maiores afloram da situação de
seca do São Francisco, e se ligam, quase como resultado uma da outra:
a paralisação quase total da navegação e o caos
econômico, da produção estocada por falta de transporte.
Ou transportada por preços até sete vezes maiores, ou apodrecendo
as margens do rio.
Sessenta e oito barqueiros que fazem o comércio ambulante do São
Francisco estão parados. Eles não conseguem mais frete de mercadorias
porque não podem navegar. Não trocam mais produtos por outros
produtos, como faziam antes, e não acharam, até agora, um meio
de arranjar dinheiro para manter a família. São 68 homens desesperados,
que estão vendo suas poucas economias minguando.
As grandes indústrias, os grandes comerciantes da região também
estão sofrendo e seus prejuízos são enormes. Eles têm,
em cidades de Minas e da Bahia, principalmente, estoques de produtos de que
precisam com urgência. Uma fabrica já parou por isto: a fabrica
de óleo de Petrolina, óleo de algodão.
Os produtos acabados das três grandes siderúrgicas de Minas Gerais,
que desciam pelo rio, terão de chegar pelo mar, com despesas muito
maiores. O cimento de Minas não esta chegando pelo São Francisco
e isso representa um aumento considerável no preço da construção
civil. O mobiliário do sul e o trigo só chegarão pelo
mar ou por rodovias. Os tubos de ferro, para serviço de abastecimento
de água das cidades, também.
As seis mil toneladas de minérios por mês produzidas nas industrias
da região de Petrolina e Juazeiro estão sendo transportadas
para o Sul em caminhões, pagando fretes caríssimos. Na cidade
de Sítio do Mar, estão estocadas as 369 toneladas de caroço
de algodão de que precisa a fábrica de Petrolina para funcionar.
Em Januária, Bahia, estão retidas 18 toneladas de algodão
e milho. Em Manga, Minas Gerais, 120 toneladas de milho esperam transporte.
Em Carinhanha, a produção de feijão corre o perigo de
se estragar, ficar velha ou apodrecer. Em Barreiras, 220 toneladas de algodão
em caroço estão estocadas e mais na cidade de Lapa.
Lapa, cidade baiana, retém também, produção de
algodão e mamão em Santa Maria da Vitória, 900 toneladas
de algodão e 600 toneladas de milho estão guardadas nos armazéns.
Da região do alto São Francisco não descem mais os 500
a 600 bois que desciam, por semana.
José Caxias de Souza, um velho barqueiro, está impedido pela
seca do rio de ir buscar 3 mil sacos de milho em Januária e 5 mil sacos,
e 60 toneladas de mamona e 160 toneladas de algodão na cidade de Manga.
Djalma Tavares dos Santos tem 65 cabeças de gado em Barreiras e 45
em São José, mas não vai buscá-las, porque o Rio
Grande também está seco. É também por causa da
seca do Rio Grande que Cornélio Teixeira não pode trazer 50
cabeças de gado do Jupaguá. E por causa da seca no Rio Preto
que Cândido Rodrigues não trouxe ainda para Petrolina 150 toneladas
de madeira de Ibipituba.
Para transportar uma tonelada de um produto qualquer, a Companhia de Navegação
do São Francisco cobra Cr$ 25,00 por cada mil quilômetros de
viagem. Agora, com a navegação praticamente paralisada, industriais
e comerciantes estão pagando três vezes mais que isso para transportar
seus produtos por estradas de ferro, ou sete vezes mais para trazê-los
ou levá-los pelas rodovias. E se optarem pelo avião, pagarão
19 vezes mais.
Em 1970, somente de milho o porto de Juazeiro recebeu 300 mil sacos. Os pequenos
e médios comerciantes compraram o saco por Cr$ 6,00, no máximo
Cr$ 8,00 nas cidades as margens do rio, pagaram Cr$ 1,00 pelo seu transporte
e revenderam ganhando 250 por cento. Estão hoje, pagando aos caminhões
Cr$ 5,00 por cada saco de milho. De Barreira e de Lapa, antes da seca do São
Francisco os caminhões cobravam Cr$ 40,00 por tonelada de cereal transportada.
Este preço subiu, com a seca, para até Cr$ 100,00.
Mais três fatos que espantam e assustam: a descarga de água que
o São Francisco recebia dos seus afluentes em Pirapora era de 800 metros
cúbicos por segundo, agora e de apenas 200m³; a barragem de Três
Marias, construída para regularizar o rio, nada pode fazer porque está
com água 12 metros abaixo do nível normal e só está
soltando no São Francisco 180m³ por segundo, ao contrário
de antes da seca, quando descarregava 500 m³; pelo menos 18 cidades mineiras
e baianas só tem saída pelo rio, estão parcialmente isoladas.

Causas e opiniões
Otávio Barbosa está quase chegando a Petrolina. Encalhou 19
vezes, perdeu quase toda sua carga, o motor da barca já está
com defeito, uma pancada forte furou o casco, mas com a improvisação
de alguma madeira, vai dar para chegar.
Os meninos correm dentro da barca, e Otávio, filho, não sai
da proa. À espera de mais bancos de areia e mais pedras. A mulher está
na cozinha, habituada com todas essas coisas, porque a família de Otávio,
o barqueiro, não mora numa casa, normalmente, como as outras famílias:
mora na barca e o São Francisco que dirige e traça o seu destino.
Até quando, ninguém sabe.
O ecologista Vasconcelos Sobrinho. Da Universidade Federal de Pernambuco,
sentenciou: "Se nada for feito, o Rio São Francisco poderá
se tornar temporário, como muitos outros rios do Nordeste".
Segundo estudos que fez e pesquisas que realizou, ele assegura que as chuvas
poderão chegar, o rio poderá encher, mas o fenômeno da
seca permanecerá, "porque o que está secando, na verdade,
é a reserva hídrica do São Francisco. Está secando
porque o homem utiliza criminosamente os recursos do seu solo".
Outra causa que o professor aponta para que o São Francisco possa se
tornar um rio temporário: "A devastação continuada
das reservas florestais das suas margens. Hoje, o equilíbrio ecológico
já foi rompido e áreas desertas se espalham por todo o vale
do rio".
O comandante Esmeraldo Brito, da Companhia de Navegação do São
Francisco, reconhece que os vapores são os principais responsáveis
pela devastação das matas. Cada um deles, numa viagem entre
Pirapora e Petrolina, consome, em suas caldeiras, mil arvores de porte médio.
O secretário geral da Comissão de Desenvolvimento Econômica
do São Francisco, sr. Giuseppe Muccini, acha que também a agricultura
tem sido culpada pela derrubada das florestas. Estudando o rio há 28
anos, ele diz que "as margens do São Francisco sempre foram cobertas
de caatinga rala e, mais para o interior, havia arvores em grande quantidade.
Isso era o suficiente para manter um sistema de proteção as
águas acumuladas no inverno, determinando sua filtração
permanente para o rio".
Ele historia: "A devastação começou com a cultura
do algodão, da mamona, do milho, do feijão, e do capim para
o gado. Depois vieram os vapores e se foram as árvores. Agora, o São
Francisco está seriamente ameaçado".
O chefe do serviço de engenharia da 5ª Agência Regional
da Suvale, sr. Edson Nolasco, está preocupado com os próximos
meses, antes de setembro, que é justamente o período de maior
evaporação da água e de estiagem total. Ele constata:
— Depois da construção da barragem de Três Marias,
o nível do rio em Juazeiro nunca foi inferior a 1,47 cm. Hoje, é
de 1,20 cm. Isso é alarmante porque temos muito tempo ainda pela frente
antes do período de chuvas e esse período, que começa
em setembro, poderá até se retardar e só ficar para o
ano que vem.
O presidente da Associação Comercial de Juazeiro, o sr. Paulo
coelho, prevê uma grave crise na indústria da região.
O presidente da União dos Barqueiros do São Francisco, sr. José
Coelho, irmão do outro, adverte que os donos de barcas já estão
em crise e se as chuvas não vierem e o governo não ajudar, ele
não imagina o poderá acontecer.
As soluções pedidas pelos técnicos, estudiosos e lideres
de populações divergem no secundário, nos aspectos particulares
do problema. Mas são comuns nos pontos mais importantes:
1 – Que se realize um programa intensivo e rápido de reflorestamento
e de preservação das reservas que ainda restam;
2 - Que seja realizada uma dragagem no São Francisco, que nunca foi
dragado em sua historia;
O homem e o rio
Chegou a barca de Otávio Barbosa ao porto de Petrolina. Chegou sem
a carga, perdida nos 19 encalhes de bancos de areia. Chegou sem trazer todo
mundo, porque alguns ajudantes, sem ter em que ajudar foram ficando de cidade
em cidade, de porto em porto.
O furo do casco começou a deixar entrar água na barca. O sistema
de refrigeração quebrou e o motor dará trabalho por muito
tempo. Rasgou-se até a camisa de Otávio, o barqueiro, de tanto
ele trabalhar nessa viagem que parecia mais longa que tudo no mundo.
Ele não diz, mas está orgulhoso de ter vencido o rio. E com
os primeiros companheiros que chegam, vai consertar o barco. Consertá-lo
para uma viagem que ele não sabe quando se repetirá, nem se
terá fim como essa teve........
Aos poucos, a gente vai descobrindo um pouco de quase tudo! Saber que os vapores foram um dos grandes responsavéis pela desmatamento das margens do rio São Francisco, é uma verdade que hoje nos é mostrada bem maquiada, camuflada, como tentando esconder o erro!
Não preocuparam conosco. Hoje, o importante é que nós nos preocupamos com os nossos filhos e netos! O rio, com todos os problemas que enfrenta, sobrevive, aos poucos renasce. Que viu como eu vi, em viagem recente de Januária a Pirapora o velho chico esta renascendo, mantem a esperança: as pessoas com certeza vão se conscientizar e dar um valor maior a este nobre guerreiro.
enquanto puder, o velhochico.net vai continuar lutando e mostrando as histórias do nosso velho rio!
