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A seca no ano de 1971 até meados de 1972, (e alguns dizem um pouco mais) ha 35 anos atrás causou um grande transtorno a toda bacia do rio São Francisco, de Minas a Bahia foi uma das maiores secas já vista. Abaixo, transcrevo um artigo de 1971, em uma narrativa jornalistica de primeira qualidade, onde é mostrado com detalhes o que aconteceu neste ano. Conheçam um pouco mais do nosso rio!
A seca do rio São Francisco

Jornal do Brasil, junho de 1971
Dos enviados especiais Ricardo Noblat e Josenildo Tenório

Petrolina-PE – O avião adernou para a direita e durante alguns segundos nada se viu. Até que o Rio São Francisco saltou de dentro das nuvens, revelando bruscamente, e com toda a nitidez, a extensão da sua tragédia imensos bancos de areia, grandes pedras que dormiam em seu leito, nenhuma grande embarcação, somente três ou quatro canoas pequenas. É a seca do rio. Seca que nunca se viu igual, que já paralisou 90 por cento da navegação e que poderá, até meados de setembro, provocar seu colapso total.
De perto, em determinadas regiões, a grandeza do São Francisco esconde e dissimula a gravidade da sua situação. Ele parece apenas, se ressentir um pouco das chuvas que não caíram com intensidade nas suas cabeceiras e aparenta uma normalidade falsa. Basta, entretanto, um mergulho na sua história, ou nos dados técnicos que não deixam duvidas, ou na conversa dos barqueiros que navegam em suas águas, para que a realidade doa como um murro na cara.
A parte mais funda do seu trecho navegável está sendo atravessada por homens com água no peito. Às suas margens se acumula, à espera de transporte que não virá, a produção de dezenas de cidades de Minas Gerais, Bahia e Pernambuco. Cerca de 70 por cento da safra de feijão e milho de mais de mil propriedades rurais da região estão ameaçadas de se perder, se as águas do rio não subirem logo. Das oito turbinas na barragem de Três Marias, apenas duas funcionam.
As explicações para a seca do São Francisco variam de técnico para técnico, mas em alguns pontos elas são comuns. Desde que foi descoberto pela navegação que o São Francisco nunca foi dragado. Em toda sua historia conhecida, nunca se registrou um índice tão baixo de precipitação pluviométrica nas suas cabeceiras. A vegetação das suas margens foi devastada e o equilíbrio ecológico está seriamente comprometido.
Se as chuvas não chegarem com o mês de setembro, técnicos, estudiosos, barqueiros e lideres naturais de populações são unânimes: estagnará completamente a navegação no São Francisco e as conseqüências econômicas e sociais serão imprevisíveis.

O grande rio

Otávio Barbosa, barqueiro há 27 anos por amor ao rio e por necessidade, larga as amarras da sua barca e parte ao encontro dos bancos de areia e das pedras, que se multiplicam no seu caminho entre a cidade de Malhada, na Bahia, e Petrolina, Pernambuco. Pai de três filhos seus, e de mais três dos outros que as circunstâncias da vida juntaram à sua família, ele viaja com todos eles e a mulher. E 50 toneladas de feijão, menos da metade da capacidade da sua barca.
Na proa, Otávio pai e filho, que tem somente cinco anos, observam o caminho, à espera das dificuldades que não tardarão a chegar.
— Olha o banco, grita Otávio Filho.
A barca encalha e o casco range na areia. O seu sistema de refrigeração começará, dentro em pouco, a ter problemas. Pai, filhos, ajudantes, descem da barca e começam a tratar do desencalhe.
O São Francisco nasce num brejo, a cerca de mil metros na Serra da Canastra, em Minas Gerais. Ele desce banhando 28 cidades mineiras, 18 baianas, sete pernambucanas, nove sergipanas e nove alagoanas, até desaguar no Atlântico. E um rio tipicamente de planalto. Seu vale se encontra dentro de uma depressão, a Depressão São Franciscana.
Ele atravessa os terrenos cristalinos do Planalto Atlântico. Drena as terras da Serra do Espinhaço, da Chapada Diamantina e do Planalto Brasileiro. Seu curso é desenvolvido através de degraus e os maiores desníveis estão entre suas cabeceiras e a cidade mineira de Pirapora e, no trecho inferior, na cachoeira de Paulo Afonso.
O São Francisco começou a ser descoberto para a navegação a partir do século XVII. As canoas, chamadas igaras, desceram e subiram suas águas, ligando cidades, comerciando produtos e levando sinais dos centros mais civilizados para lugares perdidos, quase selvagens.
No século seguinte, a navegação no Rio São Francisco intensificou-se e surgiram as carrancas, grandes barcaças a velas, empurradas por grandes varas, apoiadas no peito dos barqueiros. Essas grandes barcaças lembram muito os barcos egípcios, com a cabeça de um leão, ou de um monstro qualquer esculpida na proa, "para espantar os maus espíritos".
No dia 4 de fevereiro de 1871, o primeiro vapor desceu de Pirapora a Juazeiro, fazendo os 1.370 quilômetros navegáveis do São Francisco. Vapor e carrancas conviveram até quase recentemente, quando estas últimas desapareceram. Hoje, o vapor é soberano indiscutível no grande rio, e nem as lanchas modernas, muito mais rápidas que ele, incomodam sua posição.
Apesar disso, a fase de ouro dos vapores do São Francisco já passou. Em numero de 35, de três empresas diferentes, eles já interligaram cidades e foram, até, recebidos em muitas delas com festas, bandeirolas coloridas e povo nas ruas, contente. Agora, são somente sete, de uma só companhia, mas ainda absolutos.

A grande seca

Otávio Barbosa conseguiu desencalhar sua barca. Mas, foi serviço duro, para muitos braços e muitas horas. Ele teve até de desembarcar grande parte da carga e pedir ajuda de outros homens das margens do rio, homens que hoje vivem de desencalhar barcaças e de retirar daí o sustento que a seca lhes negou.
Não vai demorar muito e a barca de Otávio vai encalhar novamente. O próximo banco de areia é chamado de campinhos. O banco de areia, agora, tem até nomes.
— Pronto, encalhou novamente, não disse?
Ninguém fazia idéia das proporções da seca do São Francisco. Até Otávio Barbosa, homem experimentado, viu as formigas correrem para as margens, pressentiu a seca, mas não imaginou nunca que ela seria a maior de que se tem noticia.
A época de chuvas vai de meados de setembro até meados de marco, com uma ligeira interrupção em janeiro. Em dezembro do ano passado, tempo de muita água, parou de chover. Nas cabeceiras do rio, a precipitação pluviométrica foi de 752 mm, quando o normal era, sempre, entre 1.100 mm e 1.250 mm, o registrado no inverno de 1969.
Na região de Petrolina e Juazeiro choveu muito, mas de pouco adiantou, porque o importante é a chuva nas cabeceiras. Nos primeiros meses deste ano, a situação de grande seca começou a ganhar força em seus contornos. A navegação passou a ser difícil, complicada e cheia de acidentes. E, hoje, é uma temeridade, uma aventura para Otávio barqueiro e seus companheiros de vida.
A companhia de navegação do São Francisco tem paradas duas lanchas modernas de passageiros, dois rebocadores médios, quatro navios a vapor, oito empurradores grandes, 12 chatas reboques e 32 chatas empurradoras. Funcionam apenas dois rebocadores, que estão em Juazeiro à espera de uma carga de postes e três vapores.
O vapor São Francisco está encalhado um pouco acima da cidade de Ibiaí, em Minas Gerais. O Benjamim Guimarães está encalhado em Itacarambi, também Minas. O Fernandes da Cunha encalhou num banco de areia perto de Extrema, ainda território mineiro. A viagem que eles faziam antes em sete dias, se conseguirem fazer agora levarão mais de 30. Estão, apenas, com 20 por cento da sua capacidade de carga.
Um vapor da Cobal, responsável pelo abastecimento de alimentos das populações pobres das margens do São Francisco, o Santa Bárbara, está encalhado a 15 quilômetros acima da cidade de Barra, na Bahia, na cidade de Januária, estão ancoradas, impossibilitadas de navegar, 63 barcas. Cerca de 230 barcos particulares, que cruzavam pelo São Francisco, estão parados. Poucos, como o barqueiro Otávio, são os que se aventuram rio acima, rio abaixo. E rio acima somente até as primeiras cidades mineiras, porque de lá em diante a navegação é impossível.
As barcas que chegam a Juazeiro, todas elas, chegam avariadas. Chegam com rombos no casco (três rebocadores já se perderam definitivamente) ou com sérios defeitos no motor. Assim se encontram as barcas Maravilha, Curitiba, Maringá, Marta Rocha, Canindé e Micronésia, no porto de Juazeiro.
As 65 embarcações da Companhia de Navegação do São Francisco sempre desceram de Pirapora a Petrolina trazendo cereais, sementes oleaginosas, gado, algodão em rama, minérios, cimento e produtos industrializados do sul. Sempre subiram de Pernambuco a Minas Gerais, levando, principalmente, sal, tortas e minérios. Agora, este comércio está parado.
De janeiro do ano passado a junho, a companhia transportou 60 mil toneladas de produtos. Neste mesmo período, este ano, transportou pouco mais de 3 mil toneladas. O tráfego de passageiros entre as 29 cidades de Minas Gerais, Bahia e Pernambuco servidas pela companhia, de janeiro a junho do ano passado, foi de 13 mil pessoas. Este ano, em igual período, um pouco menos de 500 viajaram.
Somente as barcas chamadas sergipanas conseguem navegar no rio sem maiores problemas, devido ao seu formato: proa e popa afiladas. Em determinados lugares, o São Francisco tem apenas 60 cm de profundidade. Em Ibotirama, na Bahia, no seu trecho mais profundo, as pessoas atravessam com água no peito. Alguns dos seus principais afluentes também se encontram nessas mesmas condições: o rio corrente está tendo 60 cm de profundidade nos seus lugares mais secos. O Rio Grande tem profundidade de 40 cm, em determinadas; regiões; e o Rio Preto, 30 cm.
As graves conseqüências
Desencalhou novamente a barca de Otávio Barbosa e sua família. Desencalhou já pela sétima, oitava, nona vez, e tantas quantas foram os bancos de areia que já passaram pelo caminho do barqueiro experiente.
Algumas toneladas de feijão já se perderam, nas repetidas vezes em que a carga foi carregada e descarregada. Não se ouve, entretanto, nem uma palavra de lamento de Otávio barqueiro. Ele sua muito, dá duro, mas não reclama. Parece mais que resolveu vencer todos os obstáculos, como se quisesse vencer o próprio rio, tão intimo dele que ele o chama até de Chico.
Agora, na luta não. Ele faz questão de chamar pelo nome todo, rio São Francisco, e até acrescentar o que já viu escrito por muitos cantos: "o Rio da Integração Nacional". Assim, valoriza sua vitória. Se vencer...
Duas conseqüências maiores afloram da situação de seca do São Francisco, e se ligam, quase como resultado uma da outra: a paralisação quase total da navegação e o caos econômico, da produção estocada por falta de transporte. Ou transportada por preços até sete vezes maiores, ou apodrecendo as margens do rio.
Sessenta e oito barqueiros que fazem o comércio ambulante do São Francisco estão parados. Eles não conseguem mais frete de mercadorias porque não podem navegar. Não trocam mais produtos por outros produtos, como faziam antes, e não acharam, até agora, um meio de arranjar dinheiro para manter a família. São 68 homens desesperados, que estão vendo suas poucas economias minguando.
As grandes indústrias, os grandes comerciantes da região também estão sofrendo e seus prejuízos são enormes. Eles têm, em cidades de Minas e da Bahia, principalmente, estoques de produtos de que precisam com urgência. Uma fabrica já parou por isto: a fabrica de óleo de Petrolina, óleo de algodão.
Os produtos acabados das três grandes siderúrgicas de Minas Gerais, que desciam pelo rio, terão de chegar pelo mar, com despesas muito maiores. O cimento de Minas não esta chegando pelo São Francisco e isso representa um aumento considerável no preço da construção civil. O mobiliário do sul e o trigo só chegarão pelo mar ou por rodovias. Os tubos de ferro, para serviço de abastecimento de água das cidades, também.
As seis mil toneladas de minérios por mês produzidas nas industrias da região de Petrolina e Juazeiro estão sendo transportadas para o Sul em caminhões, pagando fretes caríssimos. Na cidade de Sítio do Mar, estão estocadas as 369 toneladas de caroço de algodão de que precisa a fábrica de Petrolina para funcionar.
Em Januária, Bahia, estão retidas 18 toneladas de algodão e milho. Em Manga, Minas Gerais, 120 toneladas de milho esperam transporte. Em Carinhanha, a produção de feijão corre o perigo de se estragar, ficar velha ou apodrecer. Em Barreiras, 220 toneladas de algodão em caroço estão estocadas e mais na cidade de Lapa.
Lapa, cidade baiana, retém também, produção de algodão e mamão em Santa Maria da Vitória, 900 toneladas de algodão e 600 toneladas de milho estão guardadas nos armazéns. Da região do alto São Francisco não descem mais os 500 a 600 bois que desciam, por semana.
José Caxias de Souza, um velho barqueiro, está impedido pela seca do rio de ir buscar 3 mil sacos de milho em Januária e 5 mil sacos, e 60 toneladas de mamona e 160 toneladas de algodão na cidade de Manga. Djalma Tavares dos Santos tem 65 cabeças de gado em Barreiras e 45 em São José, mas não vai buscá-las, porque o Rio Grande também está seco. É também por causa da seca do Rio Grande que Cornélio Teixeira não pode trazer 50 cabeças de gado do Jupaguá. E por causa da seca no Rio Preto que Cândido Rodrigues não trouxe ainda para Petrolina 150 toneladas de madeira de Ibipituba.
Para transportar uma tonelada de um produto qualquer, a Companhia de Navegação do São Francisco cobra Cr$ 25,00 por cada mil quilômetros de viagem. Agora, com a navegação praticamente paralisada, industriais e comerciantes estão pagando três vezes mais que isso para transportar seus produtos por estradas de ferro, ou sete vezes mais para trazê-los ou levá-los pelas rodovias. E se optarem pelo avião, pagarão 19 vezes mais.
Em 1970, somente de milho o porto de Juazeiro recebeu 300 mil sacos. Os pequenos e médios comerciantes compraram o saco por Cr$ 6,00, no máximo Cr$ 8,00 nas cidades as margens do rio, pagaram Cr$ 1,00 pelo seu transporte e revenderam ganhando 250 por cento. Estão hoje, pagando aos caminhões Cr$ 5,00 por cada saco de milho. De Barreira e de Lapa, antes da seca do São Francisco os caminhões cobravam Cr$ 40,00 por tonelada de cereal transportada. Este preço subiu, com a seca, para até Cr$ 100,00.
Mais três fatos que espantam e assustam: a descarga de água que o São Francisco recebia dos seus afluentes em Pirapora era de 800 metros cúbicos por segundo, agora e de apenas 200m³; a barragem de Três Marias, construída para regularizar o rio, nada pode fazer porque está com água 12 metros abaixo do nível normal e só está soltando no São Francisco 180m³ por segundo, ao contrário de antes da seca, quando descarregava 500 m³; pelo menos 18 cidades mineiras e baianas só tem saída pelo rio, estão parcialmente isoladas.

Causas e opiniões

Otávio Barbosa está quase chegando a Petrolina. Encalhou 19 vezes, perdeu quase toda sua carga, o motor da barca já está com defeito, uma pancada forte furou o casco, mas com a improvisação de alguma madeira, vai dar para chegar.
Os meninos correm dentro da barca, e Otávio, filho, não sai da proa. À espera de mais bancos de areia e mais pedras. A mulher está na cozinha, habituada com todas essas coisas, porque a família de Otávio, o barqueiro, não mora numa casa, normalmente, como as outras famílias: mora na barca e o São Francisco que dirige e traça o seu destino. Até quando, ninguém sabe.
O ecologista Vasconcelos Sobrinho. Da Universidade Federal de Pernambuco, sentenciou: "Se nada for feito, o Rio São Francisco poderá se tornar temporário, como muitos outros rios do Nordeste".
Segundo estudos que fez e pesquisas que realizou, ele assegura que as chuvas poderão chegar, o rio poderá encher, mas o fenômeno da seca permanecerá, "porque o que está secando, na verdade, é a reserva hídrica do São Francisco. Está secando porque o homem utiliza criminosamente os recursos do seu solo".
Outra causa que o professor aponta para que o São Francisco possa se tornar um rio temporário: "A devastação continuada das reservas florestais das suas margens. Hoje, o equilíbrio ecológico já foi rompido e áreas desertas se espalham por todo o vale do rio".
O comandante Esmeraldo Brito, da Companhia de Navegação do São Francisco, reconhece que os vapores são os principais responsáveis pela devastação das matas. Cada um deles, numa viagem entre Pirapora e Petrolina, consome, em suas caldeiras, mil arvores de porte médio.
O secretário geral da Comissão de Desenvolvimento Econômica do São Francisco, sr. Giuseppe Muccini, acha que também a agricultura tem sido culpada pela derrubada das florestas. Estudando o rio há 28 anos, ele diz que "as margens do São Francisco sempre foram cobertas de caatinga rala e, mais para o interior, havia arvores em grande quantidade. Isso era o suficiente para manter um sistema de proteção as águas acumuladas no inverno, determinando sua filtração permanente para o rio".
Ele historia: "A devastação começou com a cultura do algodão, da mamona, do milho, do feijão, e do capim para o gado. Depois vieram os vapores e se foram as árvores. Agora, o São Francisco está seriamente ameaçado".
O chefe do serviço de engenharia da 5ª Agência Regional da Suvale, sr. Edson Nolasco, está preocupado com os próximos meses, antes de setembro, que é justamente o período de maior evaporação da água e de estiagem total. Ele constata:
— Depois da construção da barragem de Três Marias, o nível do rio em Juazeiro nunca foi inferior a 1,47 cm. Hoje, é de 1,20 cm. Isso é alarmante porque temos muito tempo ainda pela frente antes do período de chuvas e esse período, que começa em setembro, poderá até se retardar e só ficar para o ano que vem.
O presidente da Associação Comercial de Juazeiro, o sr. Paulo coelho, prevê uma grave crise na indústria da região. O presidente da União dos Barqueiros do São Francisco, sr. José Coelho, irmão do outro, adverte que os donos de barcas já estão em crise e se as chuvas não vierem e o governo não ajudar, ele não imagina o poderá acontecer.
As soluções pedidas pelos técnicos, estudiosos e lideres de populações divergem no secundário, nos aspectos particulares do problema. Mas são comuns nos pontos mais importantes:
1 – Que se realize um programa intensivo e rápido de reflorestamento e de preservação das reservas que ainda restam;
2 - Que seja realizada uma dragagem no São Francisco, que nunca foi dragado em sua historia;
O homem e o rio
Chegou a barca de Otávio Barbosa ao porto de Petrolina. Chegou sem a carga, perdida nos 19 encalhes de bancos de areia. Chegou sem trazer todo mundo, porque alguns ajudantes, sem ter em que ajudar foram ficando de cidade em cidade, de porto em porto.
O furo do casco começou a deixar entrar água na barca. O sistema de refrigeração quebrou e o motor dará trabalho por muito tempo. Rasgou-se até a camisa de Otávio, o barqueiro, de tanto ele trabalhar nessa viagem que parecia mais longa que tudo no mundo.
Ele não diz, mas está orgulhoso de ter vencido o rio. E com os primeiros companheiros que chegam, vai consertar o barco. Consertá-lo para uma viagem que ele não sabe quando se repetirá, nem se terá fim como essa teve........

Aos poucos, a gente vai descobrindo um pouco de quase tudo! Saber que os vapores foram um dos grandes responsavéis pela desmatamento das margens do rio São Francisco, é uma verdade que hoje nos é mostrada bem maquiada, camuflada, como tentando esconder o erro!

Não preocuparam conosco. Hoje, o importante é que nós nos preocupamos com os nossos filhos e netos! O rio, com todos os problemas que enfrenta, sobrevive, aos poucos renasce. Que viu como eu vi, em viagem recente de Januária a Pirapora o velho chico esta renascendo, mantem a esperança: as pessoas com certeza vão se conscientizar e dar um valor maior a este nobre guerreiro.

enquanto puder, o velhochico.net vai continuar lutando e mostrando as histórias do nosso velho rio!

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