| A transposição de águas
do Rio São Francisco é um projeto que gera muita polêmica. Constitui,
basicamente, na utilização das águas do rio para a perenização de
rios e açudes da Região Nordeste durante os períodos de estiagens.
Os Estados beneficiados seriam: Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará
e por isso a idéia é defendida pelos políticos destes Estados, já
os políticos de Minas Gerais, Bahia, Alagoas e Sergipe não a aceitam
bem, preocupados com os efeitos em seus Estados. |
| Histórico – Foi durante o reinado de D. Pedro
II que foi concebido o primeiro projeto. Na tentativa de se resolver
os problemas de seca no Nordeste foram contratados engenheiros
estrangeiros. O projeto da época era fazer um desvio na divisa entre
Pernambuco e Bahia, mas como a tecnologia da época era insuficiente
para superar o relevo acidentado da Chapada do Araripe e fazer a água
chegar ao Ceará, acabou apenas construindo-se o açude de Cedro (no
Ceará).
Durante a década de 50, um engenheiro italiano, Mário Ferracuti, apresentou
seu projeto de transposição, que foi publicado pela revista O
Cruzeiro (05/1958). Sua idéia
era a de construir uma barragem perto de Cabrobó, de onde a água seria
bombeada para o Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, mas o projeto
recebeu muitas críticas.
Em 1983, o ministro Mário Andreazza apresentou sua idéia, até então
a mais consistente, mas seu projeto acabou esquecido junto com a sua
candidatura, já que este sonhava em ser o sucessor de João Batista
Figueiredo.
Em 1993, Aloísio Alves reabriu a discussão, sua idéia era de retirar
até 150m3 por segundo de água
do São Francisco, a partir de Cabrobó (PE), os beneficiados seriam
o Ceará e Rio Grande do Norte. O estudo acabou arquivado por inconsistência
técnica.
Os paraibanos Cícero Lucena e Fernando Catão, quando ocuparam a Secretaria
Especial de Políticas Regionais, durante o primeiro mandato do presidente
Fernando Henrique, redesenharam o projeto de Aloísio e incluíram duas
transposições para levar água ao seu Estado.
Durante a gestão paraibana, a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento
do Vale do São Francisco) também desenvolveu um projeto próprio para
fornecer água a toda região do semi-árido, mas o seu grande problema era o custo – US$
20 bilhões – e o prazo para conclusão, que levaria de 25 a 30 anos.
Com um projeto menor, avaliado em US$ 1 bilhão e que aproveita um
pouco das experiências anteriores, o ministro da Integração Nacional
do Governo Fernando Henrique, senador Fernando Bezerra (PMDB-RN) tentou
mais uma vez a ressurreição do sonho da transposição. Em seu projeto
o volume de água a ser desviado seria de 70 m3 por segundo, e além
do Ceará e Rio Grande do Norte, a Paraíba seria beneficiada com a
perenização dos rios Peixe e Piranhas-Açu. Na tentativa de amenizar
as desconfianças no seu projeto fazia parte a construção de barragens
para regularizar a vazão dos afluentes do São Francisco, quase todas
serão feitas em Minas Gerais, que responde por 70% do volume de água.
A regularização do fluxo do rio iria beneficiar também os projetos
de irrigação em Pernambuco e na Bahia. Além disso, em cada barragem
haveria uma hidrelétrica, aumentando a produção de energia em mais
de dois milhões de megawatts. Seriam
200 quilômetros de canais artificiais e mais de 2 mil quilômetros
de rios perenizados, a um custo de US$ 1 bilhão. Para se defender
a viabilidade do projeto alegou-se que o custo é praticamente o que
se jogava fora a cada ano para minorar os efeitos de uma seca e que
o projeto seria bom e seria benéfico não apenas para o Nordeste, mas
para todo o País. Seu projeto foi bastante discutido e ainda continua
sendo. Mas a crise energética de 2001 (causada pelo baixíssimo nível
do São Francisco e outros rios do país) "jogou terra" no
projeto.
A primeira coisa que é
preciso saber sobre a transposição é se há água suficiente e principalmente
para que ela será usada. Há também os problemas ambientais do São
Francisco, como o assoreamento e poluição que ocorre em maior intensidade
em Minas e na Bahia.
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